
Calhou topar, hoje, na nossa Biblioteca, o romance ‘Santa Miséria’, de Frans EEmil Sillanpää (1988-1964), escritor finlandês, Prémio Nobel de 1939.
A edição é da saudosa Inquérito, tradução de José Marinho.
Aos anos que nem sabia dele!
Acredito que a abertura de uma novela distingue o escritor, e ‘Santa Miséria’ confirmou-o:
aqui está, na segunda página:
“Jussi ou Juhà ou Janne Toivolà (...) tinha os olhos cercados de pelos e a pala do boné ensombrava-os de tal modo que se avistavam ao fundo, dois ponto imóveis e frios nos quais a ninguém agradava fixar o olhar. Se se evitam os olhares de certas pessoas, é habitualmente por razões diferentes das que levavam a proceder assim com Jussi Toivolà. Nos seus olhos nada havia de ameaçador e brutal; pelo contrário, a expressão deles fazia pensar mais num sorriso do que noutra coisa. Tinham um quid indefinível que fazia pensar na demência, e nada põe mais à prova a energia mental de alguém do que fitar o olhar sorridente dum louco: pelo seu sorriso os loucos parecem querer mostrar-nos, com uma espécie de compaixão, que conhecem aquilo que o homem chamado normal se recusa a aceitar em si. “
Sillanpää já abrira a ferida. Com a certeza e a simplicidade de um iluminado.
Dever ser um livro interessante.
ResponderEliminarNão conhecia o escritor.
Sempre a aprender com o meu amigo Manuel!!!
Beijo
Querida Carlota, É um escritor que desapareceu das livrarias. Tem muito interesse e força.
ResponderEliminarDesaparecem muitos, no curto instante da corrida ao sucesso e dos sucessivos assassinatos literários.
Veja o Régio (que é muito diferente desse finlandês), silenciado e esquecido por meia dúzia de medíocres que se auto e inter-elogiam e dominam a cena literata.
Um grande abraço!