sábado, 7 de maio de 2011

As horas redentoras

'Paisagem', 1913, óleo de Wassily Kandinsky (1886-1944)




Sol



Não fora a terapêutica do sol
E um cavar de terra, o meu pedaço
Que me prende ao cantar de um rouxinol,
Eu já tinha morrido de cansaço.

Oh! estética feliz do sol a sol,
Na terra que removo com meu braço,
Ver as plantas crescer, ou me console
Um respirar de rosas pelo Espaço!...

Há sorrisos de amor na Natureza
De um cheiro a eternidade, e de beleza,
Que eu penso-a no divino junto a mim

Mas a deusa sorrindo ao que caminha,
Ouvi dizer a uns olhos de velhinha:
“Porventura é aqui algum jardim?”

Afonso Duarte in O anjo da morte e outros poemas

1 comentário: