quarta-feira, 11 de maio de 2011

O escritor é um desbravador de almas






Um Nobel finlandês


Calhou topar, hoje, na nossa Biblioteca, o romance ‘Santa Miséria’, de Frans EEmil Sillanpää (1988-1964), escritor finlandês, Prémio Nobel de 1939.


A edição é da saudosa Inquérito, tradução de José Marinho.


Aos anos que nem sabia dele!

Acredito que a abertura de uma novela distingue o escritor, e ‘Santa Miséria’ confirmou-o:


aqui está, na segunda página:

Jussi ou Juhà ou Janne Toivolà (...) tinha os olhos cercados de pelos e a pala do boné ensombrava-os de tal modo que se avistavam ao fundo, dois ponto imóveis e frios nos quais a ninguém agradava fixar o olhar. Se se evitam os olhares de certas pessoas, é habitualmente por razões diferentes das que levavam a proceder assim com Jussi Toivolà. Nos seus olhos nada havia de ameaçador e brutal; pelo contrário, a expressão deles fazia pensar mais num sorriso do que noutra coisa. Tinham um quid indefinível que fazia pensar na demência, e nada põe mais à prova a energia mental de alguém do que fitar o olhar sorridente dum louco: pelo seu sorriso os loucos parecem querer mostrar-nos, com uma espécie de compaixão, que conhecem aquilo que o homem chamado normal se recusa a aceitar em si. “

Sillanpää já abrira a ferida. Com a certeza e a simplicidade de um iluminado.

2 comentários:

  1. Dever ser um livro interessante.
    Não conhecia o escritor.
    Sempre a aprender com o meu amigo Manuel!!!
    Beijo

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  2. Querida Carlota, É um escritor que desapareceu das livrarias. Tem muito interesse e força.

    Desaparecem muitos, no curto instante da corrida ao sucesso e dos sucessivos assassinatos literários.

    Veja o Régio (que é muito diferente desse finlandês), silenciado e esquecido por meia dúzia de medíocres que se auto e inter-elogiam e dominam a cena literata.

    Um grande abraço!

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