Capa de 'Começa Uma Vida', de Irene Lisboa, ilustrada por Maria Keill, Seara Nova, 1940 Esta novela de Irene Lisboa, com certeza um dos maiores escritores da língua portuguesa, vale, para mim, à maneira de poema em prosa.
O que nada tem de estranho: Poesia é tudo aquilo que é Arte.
É uma pérola preciosa.
A 1ª edição, ora em venda na Livraria Lumière, Travessa da Cedofeita, Porto, ilustrada, magistralmente, por Maria Keill do Amarl, guarda o sabor... das primeiras edições...
Eu sei: coisa de bibliómanos e faço parte deles.
Trata-se de uma confissão:
“Reconstruo e não invento. Investigo a minha vida passada, sacudo-a com curiosidade, e às circunstâncias que a acompanharam. (...) Tudo isto esteve dormindo comigo longuíssimo tempo, à espera do minuto de despertar; para naturalmente se sumir depois para sempre...
(...) não estou trabalhando uma ficção, estou a desfiar sedimentos e raízes de uma vida; de uma ou de várias. (...) O amor das realidades simples domina-me, subjuga-me e talvez me enfraqueça...”,
diz ela.
E, página depois de página, nunca enfraquece: a simplicidade genial de Irene Lisboa consagra a dor de uma alma ofendida.
É uma obra-prima... tão incompleta como a vida de cada um acaba sempre por ser.
Não sei porquê mas fez-me impressão este texto.
ResponderEliminarTalvez seja do perpetuar contínuo de que a vida se inscreve em círculos.