sábado, 9 de abril de 2011

À partida, a vida não é igual para todos

Há os que podem e os que a sociedade exclui e esse é o escândalo, a dor sem nome



"Uma dor sem nome

Na parábola evangélica dos trabalhadores na vinha, aqueles que trabalharam só uma hora, a última do dia, recebem o mesmo salário daqueles contratados de manhã e que trabalharam todo o dia. Mas, se esperaram, sem fazer nada, todo o dia, foi porque ninguém os chamou; porque, até àquele momento, não tinham tido, ao contrário dos outros, nenhuma oportunidade.

A inaceitável desigualdade, entre os homens, à partida, que destina alguns a uma vida miserável e impede todas as seleções segundo o mérito, pode, pois, ser corrigida, ainda que através de medidas aparentemente parciais e desiguais, tal qual faz o dono da vinha.

O mundo inteiro é um torpe, equívoco teatro de desigualdade; não de inevitáveis e positivas diferenças de qualidade, tendências, capacidades, dons, aptidões, oportunidades. É uma ofensa ao indivíduo, a tantos indivíduos, que se transforma num drama para o bem da própria sociedade. (...)"


Assim abre o admirável e pertinentíssimo artigo de Claudio Magris, que publiquei no Facebook, e aqui, parcialmente, traduzo -cuja leitura volto a recomendar...

3 comentários:

  1. Não tenho palavras para dizer... sobre um conteúdo com tamanha profundidade e a impotência de nada se poder fazer.

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  2. Há uma coisa que podemos e DEVEMOS fazer: o gesto que, no momento, sentirmos que devemos fazer.

    E deixamos a teoria para o lado.

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  3. Manuel Poppe..." E deixamos a teoria para o lado"...concordo plenamente!
    O arregaçar mangas, cada um de nós tem que fazer algo...dar o nosso melhor, penso que a sociedade cível deixou aos políticos a decisão das nossas vidas...e agora chegámos a isto!
    Mas eu acredito que vamos construir um Mundo à nossa medida...um Portugal para quem gosta de Portugal!

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