
Aldo Zari é o pintor das mãos de oiro. E da carteira vazia... Já vos disse... Conhece e ama Portugal. Expôs no Porto, pela mão do meu querido amigo Rui Polónio Sanpaio. Foi o "guarda" do nosso primeiro pavilhão (o Pavilhão Alvar Aalto) na primeira Bienal de Veneza em que participámos, em 1976 -o artista que lá levámos: Alberto Carneiro. Quando via Aldo e Alberto juntos, pensava: 'são dois santos, dois extra-terrestres, dois filhos de Antero, a conversarem com Deus e com as estrelas de Veneza...' Alberto Carneiro lembrar-se-à: são momentos irrepetíveis e inesquecíveis. Como se lembrará da bela Mirella Canzian (irmã gémea da Lorenza, do meu romance O Pássaro de Vidro), a estudantinha de Cà Foscari, que nos ajudou a montar a exposição... Um dia, alguém da Fundação Guggenheim descobrirá Aldo Zari (convinha que fosse antes da sua morte). Um acaso, é sempre um acaso -quando não se participa da feira das vaidades e não se trafica a alma.
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