segunda-feira, 25 de maio de 2009

O dia de hoje...



Há palavras boas, que nos ajudam a sobreviver ao cinzento, ao deserto dos dias. Georges Bernanos, autor da obra-prima Le Journal d’un curé de campagne, deixou escrito no álbum de uma menina brasileira (Bernanos refugiou-se no Brasil, após a invasão da França pelo exército alemão e breve exílio nas Baleares, de onde teve que fugir, depois de denunciar o franquismo, num livro incontornável: Les grands cimitières sous la lune):

Sê fiel aos poetas, permanece fiel à infância. Nunca te transformes numa pessoa crescida! Há uma conspiração das pessoas crescidas contra a infância e basta ler os Evangelhos para nos apercebermos disso...

Salinger dizia que todas as pessoas crescem... mas a maioria limita-se a envelhecer... Obviamente, dentro: na raiz da alma.

Bernanos, cristão e católico, também escreveu:

Fomos criados à imagem e à semelhança de Deus porque somos capazes de amar. Os santos têm o génio do amor.

Esse gesto de amar... Tão simples, precioso e tão difícil, que nos custa tanto! Em O Milagre de Milão, no belo filme de Vittorio de Sica, o herói dizia: Quero ir para o sítio onde bom dia queira dizer bom dia!
p.s. talvez não seja necessário explicar... , mas, just in case, aqui fica: não sou cristão, admiro e respeito a figura de Jesus, não sou católico e leio, frequentemente, os Evangelhos...

1 comentário:

  1. Caro Manuel:

    Só em jeito de desabafo, também eu me confesso pecador. Melhor dizendo para não abrir azo a más interpretações, também eu sou um apreciador da História judaico-cristã e um razoável interpretador da cultura, por essa História, veiculada ao longo de mais de dois mil anos. Inclusivamente, já me confundiram (numa aula em que foquei mais de perto as várias interpretações que podemos dar aos primeiros dias da criação do homem) com um padre. Sou um apreciador de tudo o que diz respeito à imagem e ideias de Jesus, mas do meu Jesus!

    Abraço amigo,
    Daniel Rocha

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