sexta-feira, 15 de maio de 2009

O grande Umberto Saba



Umberto Saba (11883-1957) e Italo Svevo (1861-1928) foram considerados os maiores escritores do século XX italiano. Ambos são de Trieste, cidade que só voltou à Itália em 1918. Pertenceu ao império austro-húngaro, e a fronteira, a leste, abriu-a à Eslovénia. E já agora: é, também, a terra natal de Claudio Magris (o autor de Danúbio, editado, entre nós, pela Dom Quixote). Mas vamos ao sodo, como se diz em italiano; vamos ao osso, ao essencial. Quem ouviu a entrevista de ontem, que António Levy Ferreira me fez, para a Rádio Universitária do Minho (aliás, podem ouvir-está guardada- no site, programa Livros com Rum), talvez se lembre da minha frase seguinte: ‘As nossas razões são tão respeitáveis como as razões dos outros”. A única condição que punha era que fossem elas sinceras, autênticas. Desculpem citar-me mas (Pessoa recorria ao mesmo expediente) sou o exemplo que tenho mais perto... Admiro, profundamente, Umberto Saba. O seu Canzoniere é meu livro de cabeceira, há mais de 30 anos. Tenho a sorte de poder lê-lo no original (traduzir poesia é quase impossível... e ressalvo, aqui, a excelente tradução que José Bento fez de Pablo Neruda, Antologia de Pablo Neruda, Editorial Inova, defunta, julgo...). Admiro o grande poeta e admiro o homem de uma cara só. Ora leiam o que segue, tirado de uma carta do pintor Gottuso, militante do PCI, ao libertário Saba: “nunca foram tão necessários homens como tu, que se preocupam com os outros, que transmitem aos outros a sua consciência humana, os seus sofrimentos e a sua luz –e não importa de que coisas fales porque falas, sempre, como homem e falas do coração humano”. Escrevi, sobre Saba, em Novas Crónicas Italianas (Teorema) e noutros lugares. Como há horas felizes, aqui deixo uma belíssima poesia sua (quem sabe?, talvez alguém leia italiano):

Notte d’Estate

Dalla stanza vicina ascolto care
Voci nel letto dove il sonno accolgo.
Per l’aperta finestra un lume brilla,
Lontano, in cima al colle, chi sa dove.

Qui ti stringo al mio cuore, amore mio,
Morto a me da infiniti anni oramai.

p. s. existe tradução portuguesa de uma pequena obra-prima de Saba: a novelinha Ernesto

1 comentário:

  1. Há horas vasculho as prateleiras virtuais, lendo sobre Svevo. E acabo aqui, em seu blog, lendo esse belíssimo poema de um Saba que não conheço e que vou procurar.

    Abraço amigo

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