As sondagens que vão surgindo, na Europa, precisamente a propósito das eleições europeias (de 4 a 7 de Junho) apontam uma subida da direita e da extrema-direita. É, obviamente, esta última que acende a luz vermelha. E não tem nada de inesperado; ou, melhor: era de esperar. Bastaria a memória do que se passou, na Europa, a partir da segunda década do século XX –e, sempre de par com as crises económicas. Na Itália, Mussolini; em Portugal, Salazar, na Alemanha, Hitler; na Polónia, Hungria, Roménia, convulsões semelhantes; em Espanha, Franco... E, com eles, ditaduras, racismo, guerra. Pois bem, hoje, e aqui, quando vivemos a maior crise económica dos últimos 70 anos e não sabemos como ela irá acabar, os partidos sociais democratas, socialistas, os próprios liberais –tremem. De Inglaterra, chega a notícia que os trabalhistas não irão além dos 16%, em terceiro lugar, atrás do UKIP, partido nacionalista (19%) e longe dos conservadores (30%). O racista Partido Nacional Britânico obteria um razoável 5% -ou seja: UKIP e PNB somariam 24 %. Em França. Os socialistas encolhem, a olhos vistos. Na Hungria, -um exemplo avulso- um partido que exclui, da sociedade, os ciganos, conquistaria representação no Parlamento Europeu.
Inglaterra é o exemplo em que me demoro: é um pilar histórico da democracia. E, também, a pátria da tristemente famosa e funesta “3ª via para o socialismo”... Creio bem que o eleitorado pune esse “socialismo capilé”, que acaba por não ser carne, nem peixe. Um “socialismo capilé” que se dilui no neo-liberalismo e leva o eleitorado a pensar que é, sempre, mais do mesmo...
Os nacionalistas, os extremistas da direita oferecem soluções concretas, claras, erradíssimas mas capazes de mobilizar um eleitorado estafado, assustado, desprotegido, diante do abismo do desemprego e da miséria: mentem, com todos os dentes, mentiras que agradam aos desesperados: denunciam e responsabilizam os imigrantes, que roubariam o trabalho aos nacionais e acabariam com a segurança na via pública; desfazem na EU, que meteria o nariz nos negócios da casa de cada um; insultam os políticos, que encheriam a barriga e ignorariam os problemas reais, etc, etc, etc...
E, meus amigos, o que me parece é que a procissão ainda vai no adro...
Deixo o endereço de um excelente artigo do El Pais, cuja leitura recomendo vivamente:
http://www.elpais.com/articulo/internacional/Brown/avanza/humillacion/elpepuint/20090531elpepiint_1/Tes
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