quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um livro muito comprido com coisas dentro


Este livro chama-se Escrevo Risco, arranjo gráfico de Jorge dos Reis, capa e contracapa de Zigud. O autor é Américo Rodrigues, mais conhecido pelo “herói da Guarda”. Num alto monte da sagrada Beira -Augusto Gil dixit-, Américo luta, à maneira de David, com Golias. Só que os "golias" da Guarda são anõezinhos (no que diz respeito ao espírito, porque alguns têm cabedal e os que o não têm sabem municiar-se: a calúnia, a intriguinha, a safadice à chico-esperto, disfarçado de maquiavel de aldeia). O alto monte tem muitos aspectos ultramontanos –reaccionários. Desde a repressão do assobio à da ideia própria & etc. Arte, independência, vanguarda –vêem-se aflitas para entrar na Guarda. Quanto mais para se instalarem! Américo sugeriu o Teatro Municipal, ajudou à sua criação e dirige-o, exemplarmente. Com um senão, porém: ama e respeita a Arte, venera a independência e está, sempre, ao lado de todas as vanguardas –precisamente os movimentos que pretendem deixe a Guarda de ser vã (alguns sinónimos: oca, estéril, ineficaz, vazia, infrutífera). Até há minutos, ainda estava vivo, ainda mexia (mas, quando acabar esta nota confirmo, telefono à menina do lenço, à Margarida e, se houver azar, digo). Mais uma pedra no charco: acaba de publicar Escrevo Risco, um livro com muito que se lhe diga, que diz muitas coisas e é muito comprido. Mesmo comprido: podemos esticá-lo, assim a olho, cerca de três metros. Muita fruta. Não há nada como irem comprá-lo e lerem-no, se querem verificar. Eu vou dedicar-lhe mais espaço, noutro local. De Domingo a oito dias. No Jornal de Notícias, página da cultura, obviamente.

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