Como se vê, regressei. Custa, sempre, deixar para trás seja o que for. É vida perdida. Custa muito mais, quando nos separamos da beleza de que me separei: o Minho, o Gerês, o Noroeste Transmontano. Perdermos a harmonia de um mundo maravilhoso e virgem...
E regressar e ler e ouvir as notícias do 1º de Maio: desunião, violências gratuitas, provocações e desafios idiotas, descrédito da democracia, etc. E continuar a ver o povo apertado pelo polvo de uma crise de que não é responsável. Ou é responsável: foi deixando que o sufocassem, usassem, explorassem. Constatar, mais uma vez, que demasiados “políticos” habitam galáxias a milhões de anos luz deste planeta onde giramos, giramos, acossados e sem luz ao fundo do túnel. Neste deserto. Neste glaciar. Sobreviventes, diante do vazio. Entre o eleitorado, entre os cidadãos e os “políticos” cava-se um fosso cada dia mais fundo. E que autoridade moral, que capacidade intelectual têm esses profissionais de um discurso desfasado, irreal, demagógico, para conduzirem a caravana do novo ano mil? Esses “políticos” que actuam no próprio circuito fechado e para a plateia que é feita deles próprios?
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