domingo, 10 de maio de 2009

Tarde Santarena, uma poesia de Irene Lisboa


sabiam que ela escrevia poesia? ela escrevia, sempre poesia, mesmo quando escrevia prosa. sabia encontrar e fixar a poesia inefável da realidade...

Aqueles dois barcos em baixo.
Senhores do rio, tão tranquilos!

O rio plano, sem margens.
Com bordaduras de terra apenas.

Terra verdadeira... é isto!
A água atravessa-a, não a invade.
Dois barcos ali por acaso.

Sol posto.
Sobre a água barrenta e luminosa, que bem ficam
Aquelas duas velas torcidas, vermelhas, a meio...
Movem-se.
Mudam de lugar sem que notemos quase.

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