
Jean Simmons, 1929-2010
Acabei de ver, ontem, Great Expectations (1946), belíssima adaptação cinematográfica do romance de Charles Dickens, pelo realizador David Lean, artista superior.
No primeiro dos dois dias -porque demorei dois dias a vê-lo-, tive de interromper por uma razão esquisita: tomara-me uma nostalgia quase angústia, sentimento de perda irremediável, de solidão interior, de confronto comigo próprio num tempo ido, com o meu próprio fantasma adolescente.
Era como se me doesse a saudade dos anos 50 na Guarda, do velho Cine-Teatro, das cadeiras de sumapau, da casa do Largo 5 de Outubro, do Café Cristal, dos amigos... do frio... da minha solidão, porque vivia sozinho, meus pais e irmãos em Lisboa e, comigo, no alto monte da Sagrada Beira, a ama Beatriz e o cão Vick...
A saudade de sentimentos que não conseguia definir.
E interrompi o filme a pensar que a Estela -a adolescente da primeira parte- era interpretada pela linda Vivian Leigh... mas...
...mas, no subconsciente, não convencido.
Ontem, espreitei o estojo do filme e os nomes do elenco: lá estava: Estela-adolescente era Jean Simmons!
E tudo ganhou sentido: Jean Simmons foi a minha actriz preferida da adolescência guardense! De certo modo, o meu ideal feminino: bonita, reservada, limpa -de alma limpa. Assim, eu a via.
A dor redobrou, quando,ontem, na segunda parte, a Estela-jovem apareceu representada por uma insossa Valerie Hobson, que traiu a figura e o perfil da Estela/ Jean Simmons...
Depois, num final magnífico, voltava a voz de Jean Simmons... Da ‘minha’ Jean Simmons!...
E chorei, ontem, as lágrimas que voltaria a chorar -sabia eu lá!- hoje, às 18 horas, quando, no canal Arte, me anunciaram que Jean Simmons morrera, precisamente, ontem, na sua casa de Santa Mónica, nos USA.
Chorei por ela e, sobretudo, pela adolescência que se me reafirmou, brutalmente, um bem perdido.
No primeiro dos dois dias -porque demorei dois dias a vê-lo-, tive de interromper por uma razão esquisita: tomara-me uma nostalgia quase angústia, sentimento de perda irremediável, de solidão interior, de confronto comigo próprio num tempo ido, com o meu próprio fantasma adolescente.
Era como se me doesse a saudade dos anos 50 na Guarda, do velho Cine-Teatro, das cadeiras de sumapau, da casa do Largo 5 de Outubro, do Café Cristal, dos amigos... do frio... da minha solidão, porque vivia sozinho, meus pais e irmãos em Lisboa e, comigo, no alto monte da Sagrada Beira, a ama Beatriz e o cão Vick...
A saudade de sentimentos que não conseguia definir.
E interrompi o filme a pensar que a Estela -a adolescente da primeira parte- era interpretada pela linda Vivian Leigh... mas...
...mas, no subconsciente, não convencido.
Ontem, espreitei o estojo do filme e os nomes do elenco: lá estava: Estela-adolescente era Jean Simmons!
E tudo ganhou sentido: Jean Simmons foi a minha actriz preferida da adolescência guardense! De certo modo, o meu ideal feminino: bonita, reservada, limpa -de alma limpa. Assim, eu a via.
A dor redobrou, quando,ontem, na segunda parte, a Estela-jovem apareceu representada por uma insossa Valerie Hobson, que traiu a figura e o perfil da Estela/ Jean Simmons...
Depois, num final magnífico, voltava a voz de Jean Simmons... Da ‘minha’ Jean Simmons!...
E chorei, ontem, as lágrimas que voltaria a chorar -sabia eu lá!- hoje, às 18 horas, quando, no canal Arte, me anunciaram que Jean Simmons morrera, precisamente, ontem, na sua casa de Santa Mónica, nos USA.
Chorei por ela e, sobretudo, pela adolescência que se me reafirmou, brutalmente, um bem perdido.
ler este excelente artigo de The Guardian.
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