domingo, 3 de janeiro de 2010

O Cavaleiro Andante


Vou trazer ao confronto com 2010 dois poetas; portugueses, pois claro, porque em poesia e muitas outras coisas nada devemos a ninguém. O primeiro será Antero, que cita Camões, numa carta a Maxime Formont, francês, datada do ano em que se suicidou: “Camões foi mais um mais um homem feliz do que um homem infeliz; a felicidade burguesa e mansa não lhe convinha; teve vida de aventura e de fortes emoções”. O caminho escolhido por Antero, ainda que as aventuras lhe andassem por dentro. Suicidou-se. Também, Camilo. Também Sá-Carneiro. Não é fácil viver aqui. Mas alguém disse: “não abandones o teu companheiro.” Nem, ao companheiro, escondas o sonho. Tu que és jovem -para ti escrevo e não para os acomodados-velhos-, a ti cabe construir este país: e construir-te a ti próprio. Por isso, falei do Cavaleiro Andante, que o somos todos, logo que nos atiram para este vale que só é de lágrimas se quisermos.

O país não precisa de maldizentes. Precisa de quem continue o desejado no 25 de Abril (um aparte: a bicharada que insulta Sócrates -e cada um pense dele o que quiser, mas não desça a tasqueiro- alguma vez se atreveu a denunciar Salazar?, ou é bicho assoldado que recebe ao fim do mês?) Continuar o quê? Tudo: a liberdade de lutar pela liberdade de arrancar o país à miséria; à falta de cultura; à falta de comida. Dizem que Portugal agoniza? Mentira. Eles é que trazem a morte na hipocrisia. Cavaleiro andante: ouve o outro poeta, Manuel da Fonseca: “despertemos e vamos/ eia!/ vamos fazer qualquer coisa de louco e heróico/ como era a Tuna do Zé Jacinto/ tocando a marcha Almadanim!” Levanta a tua pluma branca! Levanta a cabeça! Diz que queres!

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