sábado, 11 de abril de 2009

O Dr. Carlos Ferreira Soares, médico do povo, assassinado pela PIDE, em Julho de 1942



O livro que ilustra este breve apontamento, Casa Abatida, Quadros da Vida Aldeã, escreveu-o um pai, A. Ferreira Soares, a quem, havia pouco, tinham roubado o filho ainda jovem, 39 anos, o médico Dr. Carlos Ferreira, morto a tiro de metralhadora, pela polícia política salazarista. O livro, dedicado à vítima, edição de autor, data de 1943; o homicídio infame e covarde aconteceu a 4 de Julho de 1942. O Dr. Carlos Ferreira era réu de crime de altruísmo e amor à liberdade. Nada cobrava aos doentes pobres e contestava a ditadura do ex-seminarista de Santa Comba. Tudo isso me lembrou Tiago Santos, no seu blog Histórias da Minha Terra cuja leitura aconselho, vivamente. Ainda criança (5, 6 anos) ouvi, da boca de alguém muito bem informado, essa história terrível, que nunca mais esqueci. Por isso, décadas mais tarde, não deixei escapar o livro de A. Ferreira Soares, descoberto num alfarrabista lisboeta. É um belo romance, que se perdeu na bruma –seguindo a lei brutal do esquecimento injusto, tantas vezes!, alimentado pela desatenção, indiferença ou ignorância. Transcrevo, respeitando a ortografia, o último parágrafo de Casa Abatida, em que pulsa, dolorida, a poesia de um coração bom e ferido: ‘Por estrada poeirenta e sòlheira, vão também assim aos pulos de alegria os novilhos e tenras bezerrinhas a caminho do açougue, num ingénuo encantamento diante de tam risonha e aparatosa beatitude do mundo’. Quantos não caminharam, sem saber, para um açougue escondido, disfarçado, silenciado, nos anos da peste salazarista?

1 comentário:

  1. Bom dia:
    Com os meus melhores cumprimentos, solicitava o favor de se possivel, me fornecer a seguinte informação.
    Em consequencia do assassinato do Dr. Carlos Ferreira Soares, tive um tio de seu nome Henrique de Sousa Lourerio, que era enfermeiro e que por motivo que desconheço, foi preso pela PIDE. Ha data destes acontecimentos, eu ainda nao era nascido; nasci em 49, mas sempre ouvi essa historia contada pelos meus pais. O meu tio, morava à data em Espinho e pelo que sei, teve de sair de Espinho e foi trabalhar para os Serviços Medico Sociais na Av. Lourenço Peixinho em Aveiro.
    Se eventualmente souber qual o motivo pelo qual o meu tio foi preso, ficar-lhe-ei muito agradecido, pois e uma lacuna que existe na familia, que sempre ficou com o total e completo desconhecimento da realidadade.
    Aqui deixo pois o meu e-mail
    armando.loureiro@hotmail.com
    Com os meus sinceros agradecimentos
    ARMANDO LOUREIRO

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