terça-feira, 7 de abril de 2009

O dia de hoje...


A reler Balzac, mais uma vez compreendi duas coisas: a) em certos autores, não vale a pena andar á cata de defeitos; b) a Arte não progride, não evolui (não é como os telemóveis e os automóveis, nem como as técnicas futebolísticas...). Pôr restrições a criadores como Balzac, Shakespeare, Camilo, Goethe, Proust, Thomas Hardy, Umberto Saba, José Régio, Malcolm Lowry, António Nobre, Afonso Duarte (mão mal cheia de exemplos) é o mesmo que arranhar a barriga de um elefante, a ver se ele ri... ou mexe. A grandeza, riqueza, complexidade desses artistas é tão imensa –que só perdemos, ao armarmos em chicos iluminados e desatarmos a descobrir-lhes defeitos. Afinal o defeito está em nós, incapazes de entender a maravilha desses génios. Quanto a progressismos: que há de mais moderno nos dramaturgos de hoje (muitos deles, material para queimar (descartável), e bem se esforçam e fazem piruetas ridículas e de mau gosto, a ver se arranjam modo de se destacarem e... progredirem...) do que há de sempre superior e actual nas tragédias de Sófocles? Que há de mais moderno nos romances de Philip Roth que nos romances de Thomas Mann (exemplos próximos)?

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