domingo, 5 de abril de 2009

Velha Canção de Coimbra, de Edmundo de Bettencourt


Da outra margem do Mondego,
O triste rio esquecido,
Onde a lavadeira lavava,
Ao meu ouvido
Chegava
Uma canção de melodia indecisa,
Devagar sobre as águas,
Cortando a luz,
E na vaga última da brisa.

Canção de amor era ela
Mas não era
Só o eco desfiado
Duma queixa longínqua e magoada
De quem ama e não é amado;
Porque uma vez escutada
Não morria,
Ia ficando suspensa e alongada
Com ressonâncias de choro amargo e ais:

“Para ver se te esquecia
Cada vez me lembras mais..."

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