A quem me perguntou: “como se escreve um livro?”, respondi: “não tendo medo de escrever mal”. Num país de prosadores barrocos, de inventores de formas pseudo-inovadoras para dar nas vistas e esconder a impotência –sugeria que se limitasse a contar aquilo que tinha de facto para contar, que se chegasse ao próprio osso. Prosadores, querem-se nas floreadas notícias necrológicas ou nos elogios de ocasião. A verdadeira literatura exige a simplicidade da autenticidade. Leiam Stendhal, leiam Irene Lisboa...
A quem me disse: “se calhar, aquilo que escrevo não vale nada”, ou me perguntou: “e se eu não for um génio?”, respondi: “ninguém tem a obrigação de escrever obras-primas nem de ser um génio; mas tem a obrigação de ser ele próprio e de contar a verdade: esta, sim, serve, sempre, para alguma coisa”. Pretendia combater as ambições malsãs e esconjurar os medos que impedem pessoas sérias de se arriscarem a levar por diante uma vocação.
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