terça-feira, 14 de abril de 2009

Honra de jornalista


1. Ben Bradlee, ex-director de “The Washington Post”, do qual, hoje, aos 87 anos, continua ligado como vice-director, reafirmava: “o fundamento do jornalismo é procurar a verdade e contá-la”. Isto, que parece uma verdade de La Palice, custa muito mais de quanto se julga –e não apenas aos jornalistas: também a todos os que intervêm publicamente. Contar a verdade é árduo acto de coragem. Significa entrar no teatro da vida e, nem sempre, ou quase nunca, os comparsas o toleram. Custa-lhes engolir a verdade que lhes apresentam. Obviamente, a verdade paga-se. Em 1972, Ben Bradlee apoiou a luta dos então jovens repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, para esclarecerem o chamado “caso Watergate” que levou à demissão do presidente Richard Nixon. O preço não terá sido baixo, resistir não terá sido fácil: pressões, ameaças, tentativas de corrupção. Vendeu-se mais o jornal? Certamente. Mas a candeia que iluminou o trabalho dos jornalistas foi outra, gravada na regra de oiro que sublinhei acima: dizer a verdade. A verdade não se negoceia: impõe-se. Custe o que custar.

2. Dir-se-à: nenhuma notícia falsa ou tendenciosa resiste à autoridade das opiniões expressas num jornal respeitável. Como se reconhece a respeitabilidade de um jornal? Sem dúvida, a partir da integridade, verticalidade e rigor ético dos jornalistas e de quem nele opina. Esses garantem o crédito do jornal. O bom ou mau perfil dos órgãos da comunicação social constrói-se a partir da redacção. E que se atente no que diz o incorruptível Ben Bradlee: “Decidimos ser jornalistas porque queremos endireitar aquilo que está torto”. Uma espécie de apostolado.


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