Ou o homem de Montemor-o-Velho. Ou o poeta do mundo. António Duarte, nascido em 1884, falecido em 1958. Bacharel em Ciências Físico-Naturais. Professor do Liceu. Pedagogo. Em 1924, ele, Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões lançam a revista “Tríptico”. Compelido à aposentação em 1932 (a data salazarenta o diz: era um homem livre), continua cliente assíduo dos cafés de Coimbra, onde conhece e encanta presencistas e neo-realistas. Publica na “presença”, “Seara Nova”, “Vértice”. Publica onde se sente bem. A “presença” edita-lhe “Os 7 Poemas Líricos” (1929). As “Iniciativas Editoriais”, em 1956, publicam a 1ª edição da sua “Obra Poética”, com excelente estudo de Carlos de Oliveira e João José Cochofel. No mesmo ano, um grupo de homens de letras de todas as cores desloca-se à Ereira, a prestar-lhe homenagem. Restavam-lhe dois anos de vida e a sua poesia há muito conquistara o lugar devido -a primeira linha- na Literatura Portuguesa.
Mas quem conhece, quem lê Afonso Duarte? A Imprensa Nacional reeditou (2008) a sua “Obra Poética”, excelentemente organizada e apresentada por José Carlos Seabra Pereira. A tiragem insignificante -1000 exemplares- não dá a medida do poeta –dá a medida da nossa infeliz incultura. Julgo saber que a edição esgotou. Não basta! É preciso que venha mais! Que arranquem ao silêncio um artista singular –moderno e clássico; introspectivo e aberto ao mundo; severo e generoso. Aceitar a morte da poesia e o triunfo da banalidade é grave crime: é enterrar ainda mais o nosso país doente, abandonado, vítima de maus governos. Salve-se o poeta maravilhoso que disse: “Eu posso lá morrer terra florida!”
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