João Gaspar Simões, em sessenta anos de ofício crítico, afirmou uma qualidade extraordinária e raríssima: nenhum dos escritores de mérito seus contemporâneos poderiam queixar-se de lhe terem passado despercebidos. Inclusivamente, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, os quais redescobriu e ajudou, decisivamente, a lançar e impor. Sobre A. Ferreira Soares, o autor do romance Casa Abatida, já aqui referido, Gaspar Simões, com a exemplar independência de sempre, comentava: ‘Não sei quem é A. Ferreira Soares. (...) Sei, contudo, que Casa Abatida é uma das obras mais sérias que me tem sido dado ler nos últimos tempos. Este homem, num país em que se soubessem valorizar as vocações literárias, teria sido erguido de um dia para o outro à categoria de grande escritor.’ (texto datado de 1943, que se pode encontrar em Crítica III, Delfos, certamente esgotado...). Hoje, ninguém sabe quem era A. Ferreira Soares; ninguém leu ou, sequer, ouviu falar de Casa Abatida. Exagero? Ainda bem! Mas onde se esconde o editor corajoso que recupere esse romance tão belo e tão cheio de humanidade?
sexta-feira, 17 de abril de 2009
O dia de hoje...
João Gaspar Simões, em sessenta anos de ofício crítico, afirmou uma qualidade extraordinária e raríssima: nenhum dos escritores de mérito seus contemporâneos poderiam queixar-se de lhe terem passado despercebidos. Inclusivamente, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, os quais redescobriu e ajudou, decisivamente, a lançar e impor. Sobre A. Ferreira Soares, o autor do romance Casa Abatida, já aqui referido, Gaspar Simões, com a exemplar independência de sempre, comentava: ‘Não sei quem é A. Ferreira Soares. (...) Sei, contudo, que Casa Abatida é uma das obras mais sérias que me tem sido dado ler nos últimos tempos. Este homem, num país em que se soubessem valorizar as vocações literárias, teria sido erguido de um dia para o outro à categoria de grande escritor.’ (texto datado de 1943, que se pode encontrar em Crítica III, Delfos, certamente esgotado...). Hoje, ninguém sabe quem era A. Ferreira Soares; ninguém leu ou, sequer, ouviu falar de Casa Abatida. Exagero? Ainda bem! Mas onde se esconde o editor corajoso que recupere esse romance tão belo e tão cheio de humanidade?
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