Cristo é Deus feito homem. Uma questão de fé. Mas, nesse caso, nunca antes Deus se aproximara tanto do homem, tão funda e boamente o amara e compreendera. Mas, provavelmente -e considerada a fé apenas uma opção pessoal ou um mistério de possuídos pelo que se chama graça-, Jesus era uma criatura de Deus, como todas as criaturas do mundo (aceitas a ideia de Deus e a minha consequente contradição). E, no entanto, no amor, na compreensão e na bondade, foi o homem mais humano –dessa humanidade que Deus revelaria, se, realmente, se tivesse tornado homem, em Cristo. No Evangelho de Mateus (X, 8), lemos estas palavras maravilhosas de Jesus: ‘Vós recebestes grátis, dai grátis’. Recebemos a vida, sem pagar; não é justo que exijamos um preço por aquilo que dermos.
Mas nós não damos: o nosso exemplo é o dos vendilhões do templo. Comerciamos. Exploramos. Especulamos. Roubamos. E ignoramos o outro. Virámos as costas à maravilha da vida e cultivamos a morte nela.
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