Um sonhar-me distante, um longe incrível
É agora o meu estado: Eu sonho o Espaço
Que se fixa no mundo ao invisível
Como se o mundo andasse por meu braço.
Existo além: Sou o animal temível
De Jesus com o mundo-Deus na mão.
Sou para além do mundo concebível
Onde morre e começa a criação.
Eu, homem, sondo e meço o Infinito;
Sou corpo e espírito, esse corpo oculto,
E é só na mão de Deus que ressuscito.
E chamam a isto humana condição ...
Um nada, e tudo: — Vivo e me sepulto
Dentro e fora do próprio coração.
in Ossadas
c'os diabos! É tempo de lermos este poeta extraordinário! Discreto, humano, generoso e... do melhor oiro! Nasceu, em 1884, na aldeia da Ereira, freguesia de Verride, concelho de Montemor-o-Velho; morreu, em 1958, em Coimbra. Foi professor, foi pedagogo, foi etnólogo, foi um grande poeta. Atravessou 3 gerações, 'Orfeu", 'presença', 'sol nascente', admirado, escutado, acarinhado. E, agora, o silêncio? Que tempo pobre seria o nosso, se assim fosse!
Sem comentários:
Enviar um comentário