Bem, este texto da RTP prova que não tive nenhuma alucinação...
O comentário que escreveu no site da diocese de Viseu - sobre as declarações do Papa na sua visita a África a condenar o uso do preservativo, alegando que não resolve o problema da Sida como ainda o agrava - defende que "quando a pessoa infectada não prescinde das relações e induz o(a) parceiro(a) (conhecedor ou não da doença) à relação, há obrigação moral de se prevenir e de não provocar a doença na outra pessoa". D. Olídio Leandro considerou ainda que, nesse caso, "o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório".Esta reacção suscitou uma polémica com o Vaticano que, através do director da sua sala de imprensa, Frederico Lombardi, afirmou, de acordo com o Diário de Notícias, que "o assunto é muito delicado, pelo que os comentários terão de ser feitos pelas autoridades competentes, de um modo mais correcto, e na sede apropriada".D. Ilídio Leandro desvalorizou a posição assumida pela Santa Sé. "O Vaticano está muito interessado é em mim, porque naturalmente somos uma família, como vocês todos. Agora que o Vaticano esteja interessado em me pôr uma multa", afirmou."O que eu escrevi está legível, está disponível e, portanto, não tenho outra coisa a acrescentar àquilo que escrevi", acrescentou o responsável da Igreja Católica no distrito de Viseu.O bispo afirma ser um homem da modernidade apostado em que a Igreja que representa e abraçou se mantenha actualizada em relação à sociedade dos nossos tempos, dando respostas actuais a problemas actuais.A Igreja deve saber-se adaptar aos tempos em que vive. É assim que D. Ilídio afirma respeitar muito a Idade Média "para as pessoas que viveram a Idade Média". A Igreja Católica, na sua opinião, cumpriu então, como hoje, "uma missão espectacular". Não escamoteia que houve excepções como ao caso da Inquisição, de que a Igreja se não deve orgulhar.Por outro lado, afirmou respeitar "o século XXI para as pessoas que vivem hoje no século XXI". "Também no século XXI eu gostaria, e da minha parte farei tudo, para que a Igreja esteja também actualizada em ordem à relação com a pessoa humana e com a sociedade humana também à medida do século XXI", assegurou."É uma coisa que eu acredito que é possível e vamos todos - eu, leigos, padres da minha diocese - tentar", acrescentou.Um Bispo católico a defender o divórcioÉ nesse sentido de modernidade e de actualização da Igreja católica que o Bispo de Viseu continua a desassombrar quem o ouve. Na segunda-feira participou num debate cujo tema central era a violência doméstica. Mal da sociedade que tem conhecido, senão um incremento, pelo menos um maior número de casos conhecidos e denunciados e causador de grandes angústias e sofrimentos nas famílias portuguesas.D. Ilídio não tem dúvidas. Nos casos em que exista violência doméstica, a única solução para este homem da Igreja é a dissolução do matrimónio, ou seja, o divórcio.É uma posição que não é muito habitual nos representantes da Igreja que defende que quando dois seres se unem pelos laços do matrimónio sob os auspícios de Deus, é para o bem e para o mal, é "até que a morte os separe".
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