quarta-feira, 29 de julho de 2009

O dia de hoje: quando o coração bate por uma menina de Santos no metropolitano de Paris...



Pont Saint-Michel


Já contei a história mas foi noutro sítio: Memórias, José Régio e Outros Escritores.


“Não esqueça Paris!”, escreveu ela no livro que me deixou, Le Crève-Coeur, de Louis Aragon. Não esqueci.


Diante de mim, na carruagem do metropolitano, uma jovem fitava-me, insistentemente. O que é que pensa um jovem? “Ela quer-me!” Afinal, a menina bela era míope... Tornou-se uma grande amiga, nesse Verão de 1958, em Paris... Teresinha de Almeida, de Santos, Brasil, a estudar em França.


Ontem, alguém me leu, em ... Santos. Disse-me o quadro do Histats. Seria Teresinha de Almeida? Há muitos anos -mais de quarenta- que não sei dela! Vive, ainda? Dentro de mim, vive. É o último sítio onde morremos: no coração dos que nos amaram. Eu amei Teresinha de Almeida –e não vou repetir -o amor não se esconde-: amor e amizade são o mesmo. Entre mim e Teresinha foi uma coisa especial, íntima, nossa. Com tudo o que tu, amigo, imagines: os passeios ao longo do Sena, os livros escolhidos nos bouquinistes, os pequenos restaurantes de estudantes sem dinheiro, a pequenina Rue de La Huchette, com A Cantora Careca, de Ionesco, e o mínimo Caveau, onde nunca encontrámos Boris Vian nem ouvimos Julliete Greco, o nascer do Sol no Bairro Latino... Foi isso e muito mais, porque não há limites para as almas que se juntam.

Je ferai de ces mots notre trésor unique
Les bouquets joyeux qu’on dépose au pied des saintes
Et je te les tendrai ma tendre ces jacinthes
Ces lilas suburbains le bleu des véroniques
Et le velours amande aux branchages qu’on vend
Dans les foires de Mai comme les cloches blanches
Du muguet que nous n’irons pas cueillir avant
Avant ah tous les mots fleiris l’á-devant flanchent
Les fleurs perdent leurs fleurs au souffle de ce vent
Et se ferment les yeux pareils à des pervenches
Pourtant je chanterai pour toi tant que résonne
Le sang rouge en mon coeur qui sans fin t’aimera
Ce refrain peut paraître un tradéridéra
Mais peut-être qu’un jour les mots que murmura
Ce coeur usé ce coeur banal seront l’aura
D’un monde merveilleux où toi seule sauras
Que si le soleil brille et si l’amour frissonne
C’est que sans croire même au printemps dès l’automne
J’aurai dit tradéridéra comme personne
Versos de Le Crève-Coeur


E, no entanto, ela avisou-me: “Manuel, você gosta é da Maria João...” Era verdade. Uma coisa e outra eram verdade.

Os amores de Paris, as amizades de Paris! Pablo Guevara, o grande poeta peruano, que morreu há dois anos... Edgardo Rivera... A jovem vietnamita, que me enviou Boas-Festas, num envelope sem remetente...

3 comentários:

  1. Foarte interesat subiectul postat de tine, m-am uitat pe blogul tau si imi place ce am vazu am sa mai revin cu siguranta.
    O zi buna!

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  2. Por aqui ando eu a ver coisas antigas outra vez.
    Achei este post tão lindo!
    Isabel

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  3. É uma história que trago no coração. Obrigado, amiga!

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