
A páginas tantas verifiquei a data de publicação de ‘Sense and Sensibility’, um dos romances admiráveis da inglesa Jane Austen, que leio, rendido à sua riqueza: 1811. Ao tempo, que romances ou novelas se publicavam, por cá? Nada ou quase nada que valesse. Almeida Garrett tinha 12 anos e Herculano..., 1 ano. Camilo ia demorar a chegar. O nosso romance amadureceu tarde e andou, sempre, um pouco ao Deus dará.
Seja como for, nos anos 50 -e muito na linha da lição ‘presencista’- afirmaram-se nomes de qualidade: Natália Nunes, Augusto Abelaira e... Fernanda Botelho.
Enunciei-os ao correr da tecla, não esqueci os neo-realistas, que deixaram obra apreciável: Soeiro Pereira Gomes (‘Esteiros’ é um romance incontornável), Manuel da Fonseca e Carlos de Oliveira (este não descurou o tal exemplo ‘presencista’).
José Cardoso Pires foi um ‘caso’ e trabalhou, felizmente (com êxito), um ‘realismo socialista’ ortodoxo o bastante para afastar albardas dogmáticas.
Ora, na chamada ‘geração de 50’ sobressai um nome incompreensivelmente calado: o de Fernanda Botelho. Os seus romances são do melhor que se escreveu na nossa Literatura de hoje. Irei mais longe: nenhum romancista vivo (exceptuada a singularíssima Agustina) lhe chega aos calcanhares. Aqui a lembro, com muita admiração e saudade (honrou-me com a sua generosa e fina amizade) para que a procurem e a leiam.
O nosso romance é, afinal, muito mais do que o paleio vazio dos plumitivos publicitariamente valorizados...
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