às 22h 11m: mais uma Virgem, com o Menino Jesus, de Cima da Conegliano (Louvre)
Um das Virgens de Giovanni Bellini
Agora, de Antonello da Messina...
Cima da Conegliano, 'o Renoir do Renascimento?...Foi a luz, as cores vivas, a beleza das formas, o apelo do mundo maravilhoso, a sagrar-me o dia. A National Gallery, de Londres, tem tanta coisa bela! Atravessei salas e salas, vi, pela primeira vez, obras de artistas sempre estimados. A verdade é que vi todas as obras, pela primeira vez... “em carne e osso”... Os grandes ingleses, os espanhóis e flamengos.
E, de repente, surgiram-me os mais amados: os Mestres italianos do renascimento: Giovanni Bellini, sobretudo ele, que me trazia de volta a fabulosa Veneza. Ah!, nada a fazer! Durante anos, peregrinei, até à Accademia, horas e horas, a admirar as Nossas Senhoras de Giovanni Bellini: o azul, a doçura, a distância de quem está noutro mundo, o do Espírito, o de Deus... José Régio dizia -e com muita razão!- que há mais mundos. Ai dos que têm medo de os procurar!
E Vivarini, Mantegna, Antonello da Messina, Botticelli..., a Itália. Nada a fazer, uma pátria que me ficou, para sempre. A que “mais me ficou”? Há que ter um ponto de referência, e atenho-me a Portugal, à Guarda. Mas a Itália, os fabulosos quinze anos lá vividos, tocaram-me a alma com brilho indelével. Esse me alvoroçou, emocionou, trouxe-me deliciosas lágrimas.
Quando recordo os longos dias (e noites) em que teci ‘O Pássaro de Vidro’, com certeza, o livro onde mais o meu sangue ferveu, as versões sucessivas, as correcções, a busca do estilo que reproduzisse aquele universo veneziano apaixonante –reconheço que, se alguma coisa dei, o devo à própria Itália: à paisagem, às pessoas, à pintura e à arquitectura. A Itália não me modificou, no essencial –mas alargou-me as vistas, educou-me a sensibilidade, a afectividade, o modo de chegar à vida e aos outros.
Logo ao lado de Bellini, reparo nas Virgens de Cima da Conegliano, na sensualidade. Tão diferentes das do veneziano! E... aproximo o renascentista Cima da Conegliano do impressionista Renoir... A figura que reproduzo não transmite a força campesina do Mestre veneto... No entanto, se abrirem o site da National Gallery, encontram outras mais representativas dessa ‘carnalidade’ dulcíssima.
Amigos, um salto a Londres e à National Gallery, vale o risco da gripe... Então, comparem Bellini e Cima. E admirem o meridional Antonello da Messina, Mestre entre os Mestres... Ou, já que falei nele, o estupendo Renoir, La prémière sortie ou Les parapluies... E etc., um etc. que não acaba...
Em 2002 passei cerca de quatro dias em Londres. Pouco tempo, mas muito pelo que deu para ver. E ao ler o seu texto, fiquei com mais vontade ainda de repetir a viagem :)
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