sábado, 25 de julho de 2009

A política e a Cultura um divórcio que não deveria existir e coisas bonitas cultas nossas portuguesas


Já falo do quadro acima... Hoje, os ‘paladinos da direita iluminada' -que deverá restaurar Portugal, após a derrota do PS- miaram, em certos jornais, sem a força, nem a dignidade, nem a graça dos gatos de Fialho, a propósito do aparecimento, nas listas daquele partido, de intelectuais. Piaram até, idiotamente: “o Ps pisca o olho à esquerda”, um dos títulos da tal imprensa... Os perigosos intelectuais, os ‘díscolos’ escolhidos pelo PS foram a actriz Inês de Medeiros e Miguel Vale de Almeida, que reivindica uma sociedade aberta.

O intelectual é, para a direita, não só um inimigo (os intelectuais não lhe aturam o dinosaurismo e o ideal canibalista) mas também um perigo público: leva as pessoas (os cidadãos, os eleitores) a pensarem e a exigirem o que lhes é devido.

A direita esquece (ou não quer admitir tal coisa) que a Cultura é a raiz da política. Recusa-se a reconhecer que as ideias de cada um (a ideologia de direita assenta na morte da ideologia, da ideia... que não seja a sua), que as ideologias de cada um estão intimamente ligadas dependentes da sua mais ou menos rica cultura e estão-lhe ligadas. A direita esquece que o modo de governar um país depende da cultura de quem o governa (e, essencialmente, sobretuto, da cultura dos governados). De facto, exige-se, para um bom governo, que o governante não seja analfabeto: que saiba quem foi Mozart e quantos cantos tem Os Lusíadas, assim como não depender a vida afectiva das vacas do convívio com os robôs... E por aí adiante, com exemplos mais pertinentes... mas menos da nossa feira de ganâncias políticas...

Escândalo, aos olhos da direita: ter deputados cultos, na Assembleia da República é, além de um foco de “destabilização”, um péssimo exemplo: o país arrisca-se a vir a ter uma populção respeitadora da Cultura. Arrisca-se, até, e é gravíssimo!, a ter um povo que queira ser culto, que procure a Cultura, que lute pela Cultura!

E lá vai a ilustração e uma palavrinha doce: é um belíssimo quadro do nosso Renascimento (que nasceu e morreu torto, dado o atraso cultural dos nossos governantes...), exposto no nosso Museu de Arte Antiga. Faz bem admirá-lo. O mundo não é, apenas, a National Gallery (onde, aliás, existe um lindo quadro de um renascentista anónimo português)... Coração ao alto e... parabéns ao PS! Oxalá fosse, sempre, assim!

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