
Nunca fui comunista. Poderia estar aqui a queixar-me das indelicadezas ou injustiças de alguns comunistas. Nada devo ao PCP, muito pelo contrário. Não sou militante do Bloco de Esquerda. Há quase 34 anos que deixei de ser militante do PS. Votei, sempre, à esquerda: no PS e, ocasionalmente, na extinta UEDS –isso é verdade.
Mas, exactamente por isso, porque aspiro a um estado social e democrata, aspiração de socialista (e nunca votei, nem poderia votar no PSD porque o PSD nunca foi sequer social-democrata e sempre foi e é um partido neo-liberal) –recuso a caça às bruxas, a intolerância, o facciosismo, que, na Alemanha deu no Hitler; na Itália, no Mussolini; na Espanha, no Franco...; entre nós, em quase 50 anos de salazarismo-imobilismo-castração. Exactamente por defender a democracia, recuso anatematizar o PCP e BE. E, porque quero ver afirmar-se um país cada vez mais livre e aberto, moderno, quero dialogar com eles, comunistas ou bloquistas.
Confrange, repugna a raiva que anda por aí e o medo aos “comunistas” (com mil demónios! que diriam espanhóis, franceses, italianos, que convivem em diálogo e debate com partidos comunistas???). Para não dizer que é indecente usar o termo como insulto..., e é dessa maneira que o usam e, por isso -e também pelo tal medo absurdo e gagá- juntam, no mesmo insulto, o PCP e o BE, aliás, partidos muito diferentes.
Esse medo abre a porta ao regresso da repressão e da ditadura.
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