
A autenticidade da famosa fotografia de Robert Capa, “O soldado caído”, que mostra, um soldado do exército republicano tombar, vítima das balas das tropas franquistas, durante a Guerra de Espanha, continua a ser discutida. O trabalho do grande artista, judeu húngaro, é, hoje, definitivamente (?), considerado falso; Capa montou a cena e fotografou. Ontem, Euan Ferguson, no “The Observer”, levantava, pertinente e inteligentemente, a questão que aqui deixo: é legítimo um fotógrafo/repórter falsificar imagens? E acrescenta o seguinte: é legítimo ou ilegítimo, quando a fotografia “falsa” tem efeitos positivos, tal qual a de Capa que provocou uma onda internacional de apoio ao regime legítimo espanhol, o republicano, e de repúdio da revolta fascista franquista? Debater essa questão levar-nos-ia muito longe –e valeria bem a pena. Amigos, prometo ocupar-me mais detalhadamente do artigo de Ferguson e sugiro que comecem, já, a pensar no problema –hoje, tempo de mentiras, a torto e a direito, e de desculpas de mau pagador, por exemplo: “certos fins justificam certos meios”...
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