sexta-feira, 24 de julho de 2009

A casa de Baker Street onde os fantasmas são de carne e osso e tudo é tão verídico como a nossa verdade




Hoje, em Baker Street, visitei a casa de Sherlock Holmes. Recebeu-me o Dr. Watson. Cumprimentámo-nos efusivamente. Tudo estava no seu lugar: junto à lareira acesa, os sofás, onde se sentam os dois amigos, os chapéus, os bonés, os papeis, os mapas, os livros, os cachimbos de Sherlock, que se ausentara, por momentos... Nada era verdadeiro e tudo era verdadeiro. Depende de cada um. O mesmo acontecerá, se, em Stratford-upon-Avon, procurarmos a casa de Shakespeare. Quem era Shakespeare? Existiu? Não se sabe. Resta, apenas, o seu teatro e a sua poesia. De Sherlock, ficaram as aventuras, que Conan Doyle contou. Também ninguém sabe, ao certo, quem era Gil Vicente. Podíamos inventar-lhe uma casa e tê-la por autêntica. A nossa imaginação pode criar o que lhe apetecer –que, realmente, lhe apetecer, porque, dentro de nós, essa invenção exige a existência. Entraram, comigo, na casa fantasma de Sherlock Holmes, em Baker Street -que só não é fantasma porque nós decidimos que não o é-, visitaram-na, à mesma hora que eu a visitei, e saudaram, como eu saudei, o Dr. Watson, franceses, italianos, coreanos, russos, indianos... Não passaria pela cabeça de nenhum de nós discutir a verdade de quanto víamos e tocávamos. E comprámos, na lojinha do rés-do-chão, recordações: cópias dos originais. Dos objectos indiscutivelmente originais que enchiam os andares de cima.

1 comentário:

  1. "Recebeu-me o Dr. Watson" foi ótimo rssssssss
    É..tô me divertindo no seu blog...rs

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