quarta-feira, 29 de julho de 2009

Crianças e a natureza um país verde que se preocupa e o nosso país careca que se está nas tintas

A árvore condenada pelo pato bravo
O Hyde Park em Londres



The Guardian publicava, anteontem, um excelente artigo de Zac Goldsmith, sobre as crianças e a natureza, cuja leitura deveria ser obrigatória para os actuais e futuros governantes da nossa terrinha. Não aconselho a leitura ao trio Lurdes & Lemos & Pedreira, Sociedade de Irresponsabilidade Ilimitada, porque seria o mesmo que aconselhar a leitura da Bíblia em aramaico: não percebiam (e espero, ardentemente e para bem das crianças, dos pais das crianças, dos martirizados professores e de todas as pessoas mentalmente saudáveis, que desapareçam, em Setembro, da esfera governativa).


Goldsmith informa que cerca de 400.000 crianças inglesas são dependentes de antidepressivos. Que as crianças inglesas passam, por semana, quase 14 horas em frente da televisão e 6 horas, diante do computador. Mais diz que a criança inglesa é considerada, pela UNICEF, a mais infeliz da Europa, malgrado o material destinado a proteger a saúde de que dispõe. Escreve Zac Goldsmith: “Haverá várias razões, mas, sem dúvida, factor muito importante é que a criança se separa, cada dia mais, da natureza”. E defende que a escola promova a defesa da árvore e aproxime os alunos da natureza; que seja... uma escola verde. (Aliás, recentemente, lançou-se, aqui, em Inglaterra, mais uma vez, a campanha: “plante uma árvore”. Num país onde as árvores são rainhas, o verde protege cidades, vilas, estradas, faz dos campos paisagens fabulosas.)


O nosso Portugal é um país careca, carente de árvores e de verde. A prioridade foi dada à defesa do pato bravo e da construção civil. Árvore à vista, árvore morta. As nossas escolas são o que são, encravadas no meio de prédios inqualificáveis, do betão e... da poluição. O que dirá a UNICEF das nossas crianças? Que sofrem de asma e bronquite? Que comem televisão e internet? Que se empanturram de telemóveis? Que, em vez do oxigénio, respiram o fumo dos tubos de escape? E da relação das nossas crianças com a natureza, o que diria a UNICEF? O que diremos nós, sempre mais arriscados a acabarmos por ir ver as vaquinhas, os cavalinhos, os santos burrinhos, cabrinhas e etc. ao Jardim Zoológico?...

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