
O estupendo quadro Jovem segurando uma caveira é de Franz Hals (1580-1666), admirável retratista e um dos pintores holandeses que espreitaram e aproveitaram a lição do italiano Caravaggio (Michele Angelo Merisi da Caravaggio, 1571-1610), está -ia a escrever: obviamente...- na National Gallery.
O que me faz parar diante dele, voltar a ele (e, ontem, lá voltei, como anteontem e antes de anteontem e antes...), é o muito que o jovem, diante dos sinais da morte, do inexorável fim, nos comunica. O seu apelo inútil –e, por isso, mais emocionante.
O que o jovem holandês, nunca identificado, dir-se-ia querer transmitir-nos pareceu-me o seguinte: surpresa, incredulidade, esperança arriscada, medo, recusa da absurda e, no entanto inevitável morte (por isso a surpresa, a perplexidade...).
E, no sorriso esboçado, julguei perceber a ingénua tentativa de, graças à própria juventude e beleza, seduzir a morte, comprar-lhe a vida eterna desejada, aqui, neste mundo.
De que serviria identificá-lo? Ele encarna, simboliza a angústia e o desespero de todos nós, quando a vida nos obriga a lembrar o fim –a precariedade de todas as nossas coisas...
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