
Esta nota poderia chamar-se “o trágico desamor do português à árvore” e é isso, essa estranha mania, que me traz aqui. O meu cão Zac tinha com as árvores uma relação muito mais amável do que a nossa: estimava-as e agradecia-lhes o apoio que lhe davam para resolver problemas do foro psicofisiológico, além de o deixarem gozar-lhes a sombra. E recordo o bichinho, sorridente, olhos fixos, preso da beleza repousante dos fraternais cedros que se perfilavam na doce paisagem do Norte de Roma, Via Cassia, junto ao bairro de La Giustiniana... O Zac era um romano un italiano vero, aceito –e sei que os italianos consideram a natureza (e, obviamente, as árvores) parte essencial da sua vida: da sua qualidade de vida. Andei, por lá, quinze anos. Agora, lusíada, nada infeliz (o “purinho”, o Nobre perdoar-me-ia), de passagem em Londres, empolga-me (entusiasma, encanta) a devoção inglesa aos bens da terra: esta cidade é uma cidade verde.
“Pérfida albion!”, acusavam os nossos trovadores românticos. Leitor, francamente, de homem para homem, convenhamos: afinal, pérfidos somos nós! Quando vemos uma árvore, aí vai disto: deitamo-la abaixo! E, logo a seguir, o betão: o prédio: o fatal, o presunçoso, o piroso condomínio (por mais absurdo que pareça, viver num condomínio tornou-se promoção social... lá está o PIC: o processo de imbecilização em curso!...)..., os aglomerados desumanos, mal traçados e vergonhosamente polvilhados com plantinhas raquíticas... E, porque talvez já baste esta autoflagelação e dizer mais seria sadomasoquismo, não direi... Não direi?! Digo, sim senhor! É que preferir, às árvores, as monstruosas construções de cimento, sem rei nem roque, significa estrangular a qualidade de vida, empobrecer o realmente pobre lusíada e enriquecer patos bravos e quem os autoriza. Alguma vez algum governo se preocupou com a qualidade de vida?
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