Winston Churchill
Germaine Greer, escritora, obra de Paula Rego
Michael Caine, actor
Elisabete I, a rainha virgem
Doris Lessing, escritora
Por estranho que pareça, ou porque parece tratar-se de alcunha, existem, por aí, uns escritórios que querem dar pelo nome de ministério da educação e ministério da cultura. Aos costumes dizem nada; isto é: perguntados acerca do que fizeram em prol da educação e da cultura, balelam e engonham, assobiam, canas rachadas a disfarçarem o susto. Bem..., vem a propósito...
Vem a propósito do quê? Do seguinte: a National Gallery compreende uma ala especialíssima, a National Portrait Gallery, fundada em 1856, onde, desde a casa real dos Tudors (1485-1603) até... ao dia de amanhã, se juntaram os retratos das personalidades que marcaram e ajudaram a construir um país: a Grã-Bertanha. Obviamente, o retrato daqueles que contribuíram para uma Cultura –porque um país é a sua identidade e a identidade de um país é a sua Cultura.
Mas nenhum é de mais –e quem lá for, à National Portrait Gallery, encontrará os retratos de reis e rainhas, ministros, políticos (por aqui, levam-se os políticos a sério a eles próprios e ao dever de contribuírem para o bem da polis, da cidade, e são levados a sério...), escritores, pintores, escultores, bailarinas, jornalistas, músicos, poetas, actores..., em suma: todos quantos contaram, na afirmação e defesa de uma Cultura –de uma identidade. Depois, topará admiráveis retratistas, quadros de primeira água, fotografias excelentes...
Qu’é da nossa identidade? Por que caminhos caminha a nossa Cultura? Anda -ou não anda?- por estradas ínvias e de má gente... De irresponsável e mercantilista gente... Quem defende a nossa memória? Quem honra os nossos maiores (ora tomem este chavão!)?
Há semanas, relatei, na minha coluninha dominical do ‘Jornal de Notícias’ (procure-se na corajosa e dignamente sobrevivente página da cultura) o ‘caso do autoretrato desprezado’: um impressionante autoretrato de José Régio, à venda na Livraria Académica, do Porto, que nenhuma instituição quis ainda comprar... Nem o tal ministério da cultura, nem a Câmara de Vila do Conde... nem a tradicionalmente bombeira benemérita Fundação Gulbenkian... É emblemático.
Ah!, lá vem o choradinho do costume: não temos dinheiro... E o outro: a cultura não rende... Resposta: nem só de pão vive o homem e um país não afirma a identidade com má arquitectura (os patos bravos da construção civil), com pseudo-literatura, com televisões confrangedoras, cheias de morangos podres, com a destruição sistemática da paisagem, com o inconcebivelmente soberbo desprezo pela qualidade de vida.
Ah!, lá vem o choradinho do costume: não temos dinheiro... E o outro: a cultura não rende... Resposta: nem só de pão vive o homem e um país não afirma a identidade com má arquitectura (os patos bravos da construção civil), com pseudo-literatura, com televisões confrangedoras, cheias de morangos podres, com a destruição sistemática da paisagem, com o inconcebivelmente soberbo desprezo pela qualidade de vida.
E, o coração da qualidade de vida é a Cultura.
Amigos, se vierem a Londres, não percam a estupenda lição de respeito e amor à Cultura que representa a National Portrait Gallery. E, de regresso à lusa pátria, façam um gesto, façam qualquer coisa, nem que mais seja (lembrem o belíssimo poema de Manuel da Fonseca) toquem a ‘marcha de Almadanim’! Cada gesto é um passo em frente; muitos gestos, ao mesmo tempo, são muitos passos em frente. E, como dizia Ian Fleming, o do James Bond, ‘só os diamantes são para sempre’ –uma boa notícia, porque significa que o galinheiro em que Portugal se afunda não pode ser, não pode durar para sempre!
É essa a minha esperança, que~bata no fundo e comece a subir.
ResponderEliminarTem de ser!