
Thomas Hardy (1840-1928)
O meu inglês ainda é fracote. Dá para conversar, para ler os jornais e, com dificuldade, para ver as BBCs... os filmes... A verdade é que pertenço a uma geração em que o francês era a segunda língua. Também verdade é que, durante séculos, de costas virados à Espanha e a defendermo-nos da colonização inglesa (que aconteceu, de facto, e nos levou muita coisa...), bebemos, apaixonadamente, a Cultura francesa. O Eça..., mas é curioso: Eça viveu em Inglaterra e leu, com certeza, os mestres ingleses... No entanto, eram os galicismos que o Camilo topava e denunciava nos romances queirosianos... Eu não fugi à regra e aprendi com autores franceses. A minha primeira viagem ao estrangeiro foi... a Paris. Esta é a primeira vez que venho a Londres... Depois, quinze anos em Itália abriram-me outros horizontes –mas a Inglaterra continuou longe... Aos quinze anos no ‘mundo maravilhoso’, seguiram-se cinco, em São Tomé e Príncipe, onde se falava português. E só a ida para Israel, outros cinco anos, então, em Telavive, me obrigou a desenferrujar o meu pobre inglês. Foi um milagre e ajudou-me a ser menos analfabeto. Porém, não deu para ler os romancistas ingleses, no original. Espreitei um e outro, li, isso sim, traduções do yiddish para inglês de obras do genial Isaac Bashevis Singer, directo e simples, pelo menos no inglês das traduções que li e que, aliás, Singer corrigia... Os mestres ingleses li-os em traduções portuguesas e... francesas... Gide ensinara-me uma verdade absoluta: os grandes romancistas estão em Inglaterra e... na Rússia. Mas, em russo..., certamente nunca os lerei... Thomas Hardy (que faz chorar a minha querida amiga Lurdes Sampaio...), o grande trágico, o moderníssimo pintor de almas solitárias (modernidade e tempo objectivo não coincidem), de paixões totais, belas ou perversas, ocupou-me os últimos tempos: Jude the Obscure... Tess of the d’Urbervilles... Far from the Madding Crowd..., obras-primas. Vão os títulos em inglês, mas li em francês os dois primeiros e o terceiro numa tradução magistral de Cabral do Nascimento para o português. Ontem, não resisti a comprar mais dois: The Mayor of Casterbridge e The Return of the Native. É um desafio a mim próprio, mas vale bem a pena. Se vale! Gide, para ler Hardy, Meredith, as Brontë, etc., começou a estudar inglês, aos 57 anos. Ora eu começar não vou começar... mas não ando longe disso... Amigos: não há tradução que não traia –e ler um autor no original... bem , amigos... é outra conversa! Vamos a ver se consigo...
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