quarta-feira, 22 de julho de 2009

Eis a famosa a imortal Tuna do Zé Jacinto tocando a genial Marcha de Almadanim de Manuel da Fonseca!!!



MATARAM A TUNA

Nos domingos antigos do bibe e pião
Saía a Tuna do Zé Jacinto
Tangendo violas e bandolins
Tocando a marcha Almadanim.
Abriam janelas meninas sorrindo
Parava o comércio pelas portas
E os campaniços de vir à vila
Tolhendo os passos escutando em grupo.
Moços da rua tinham pé leve
O burro da nora da Quinta Nova
Espetava orelhas apreensivo
Manuel da Água punha gravata!
Tudo mexia como acordado
Ao som da marcha Almadanim
Cantando a marcha Almadanim.
Quem não sabia aquilo de cor?
A gente cantava assobiava aquilo de cor...
( Só a Marianita se enganava
Ai só a Marianita se enganava
E eu matava-me a ensinar...)
Que eu sabia de cor
Inteirinha de cor
E para mim domingo não era domingo
Era a marcha Almadanim!
Entanto as senhoras não gostavam
Fazim troça dizendo coisas
E os senhores também não gostavam
Faziam má cara para a Tuna:
- Que era indecente aquela marcha
Parecia até coisa de doidos:
Não era música era raiva
Aquela marcha Almadanim.
Mas Zé Jacinto não desistia.
Vinha domingo e a Tuna na rua
Enchendo a rua enchendo as casas.
Voavam fitas coloridas
Raspavam notas violentas
Rasgava a Tuna o quebranto da vila
Tangendo nas violas e bandolins
A heroica marcha Almadanim!
Meus companheiros antigos do bibe e pião
Agora empregados no comércio
Desenrolando fazenda medindo chita
Agora sentados
Dobrados na secretária do comércio
Cabeças pendidas jovens-velhinhos
Escrevendo no Deve e Haver somando somando
Na vila quieta
Sem vida
Sem nada
Mais que o sossego de falas brandas...
- Onde estão os domingos amarelos verdes azuis
Encarnados
Vibrantes tangidos bandolins fitas violas gritos
Da heroica marcha Almadanim?!
Ó meus amigos desgraçados
Se a vida é curta e a morte infinita
Despertemos e vamos
Eia!
Vamos fazer qualquer coisa de louco e hroico
Como era a Tuna do Zé Jacinto
Tocando a marcha Almadanim!

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