
Piero della Francesca pintou assim -imagem que reproduzo- a Cidade Ideal. A polis de harmonia, o lugar de encontro, de convivência, de solidariedade, de ajuda. Esse lugar não existe. Vivemos na desarmonia, no desencontro, no egoísmo, na luta feroz pelo osso –na chamada (monstruosa) ‘concorrência’. Foi isso que nos impôs o neo-liberalismo e que aceitámos. A lei que nos subjuga nada tem da moral: é a lei da selva.
Martine Aubry, secretária-geral de um partido socialista que se procura ( o francês: e ainda bem que se procura e tenta aproximar-se das soluções necessárias), Martine Aubry, que rejeita terceiras vias e compromissos com o liberalismo sem ética, diz, em entrevista ao ‘Le Monde’ de hoje:
‘Temos de inventar um postmaterialismo. Não queremos uma sociedade em que homens e mulheres concorram, na disputa das coisas, se temam uns aos outros – não queremos a sociedade que a direita constrói. Queremos uma sociedade de solidariedade e tolerância”.
Essa sociedade ainda não existe. Mas não é impossível. Depende de nós. Porque nós somos a cidade –mesmo esta, desgraçada, desumana, brutal, arena onde nos trucidamos uns aos outros. Somos responsáveis pelo açougue em que vivemos. Por este mundo sem sentido, amassado na morte da alma: a nossa morte-viva quotidiana. Entre nós e nós próprios cavou-se um fosso quase irremediável. No entanto, nada é irremediável, enquanto quisermos lutar pelo remédio.
Há muitos, muitos anos, há mais de dois mil, o filósofo grego Plutarco escreveu: ‘um homem verdadeiro é o começo de uma grande virtude’.
Essa sociedade ainda não existe. Mas não é impossível. Depende de nós. Porque nós somos a cidade –mesmo esta, desgraçada, desumana, brutal, arena onde nos trucidamos uns aos outros. Somos responsáveis pelo açougue em que vivemos. Por este mundo sem sentido, amassado na morte da alma: a nossa morte-viva quotidiana. Entre nós e nós próprios cavou-se um fosso quase irremediável. No entanto, nada é irremediável, enquanto quisermos lutar pelo remédio.
Há muitos, muitos anos, há mais de dois mil, o filósofo grego Plutarco escreveu: ‘um homem verdadeiro é o começo de uma grande virtude’.
Ora ser verdadeiro é respeitar a verdade. E respeitar a verdade é respeitar-nos a nós próprios. E respeitar-nos a nós próprios é respeitar os outros. E, quando isso acontece, começa, também, a desmoronar-se o coliseu: o grande circo onde se traficam homens, se escravizam as pessoas (se transformam as pessoas em peças de máquina produtora), se humilham e ofendem: a megasociedade do roubo e do lucro.
p.s. uma pergunta: falam do fim da crise... Referem-se ao fim do desemprego (que abarca centenas de milhões) e à recuperação da igualdade de oportunidades ou à reestruturação do neo-liberalismo, sobre os cadáveres (que se multiplicam, vertiginosamnete) daqueles que deixaram de ser necessários a essa sociedade?
p.s. uma pergunta: falam do fim da crise... Referem-se ao fim do desemprego (que abarca centenas de milhões) e à recuperação da igualdade de oportunidades ou à reestruturação do neo-liberalismo, sobre os cadáveres (que se multiplicam, vertiginosamnete) daqueles que deixaram de ser necessários a essa sociedade?
Sem comentários:
Enviar um comentário