
Em Inglaterra, como em toda a parte, distribuem-se folhas ajornaladas, gratuitamente. As notícias são curtas, superficiais, sensacionais, com o q.s. de sexo, grandes e espectaculares fotografias, ‘disfarçadas’ com mini-textos vazios ou em legendas do mesmo calibre. Obviamente, não se demoram nas Artes ou Letras, nem se preocupam com elas... aliás, não foram criados para esse fim. O seu fim é venderem, encampotadamente, outros “produtos”... porque é a publicidade que sustenta essa boda ao público. Na realidade, não poderemos chamar-lhes folhas; tenho, à minha frente, o ‘London Evening Standard’: 56 páginas! São, de facto, um perigoso concorrente da imprensa tradicional.
E a imprensa tradicional inglesa? Vende, e bem, milhões de exemplares com dezenas de páginas, suplementos, revistas... E, em vez de imitar a superficialidade e o escandaloso, publica reportagens desenvolvidas, informações sólidas, análises pertinentes, muitos artigos temáticos, e editoriais que respeitam a velha tradição de não virem assinadas (o responsável é o próprio jornal). Têm gordas e apetitosas páginas e suplementos culturais de Letras e Artes. E penso no Times, no Guardian, no Independent, no Observer, no Sunday Telegraph... alguns exemplos. Há excepções negativas? Com certeza.
Creio que, em Inglaterra, já se percebeu o seguinte:a internet, as TVs, as rádios, os telemóveis fornecem, as placares publicitários transmitem, continuamente, as notícias do momento. Não as explicando, nem analisando, nem comentando.
Ao jornal tradicional, sério, cabe esse trabalho que as folhas gratuitas não fazem. É isso que o público espera e lhes pede.
Ora eu receio que, em Portugal, se haja optado pelo... suicídio... Isto é: concorrer com as folhas gratuitas, imitando-as...: notícias e comentáriso breves e superficiais, grandes fotos, escândalos, sexo... e um manguito para as Artes e Letras...
Acham que o público irá comprar aquilo que pode ter de graça?
Há mais de 50 anos ligado aos jornais, aqui fica essa pergunta –que é um aviso.
em cima: jornais que se esforçavam por ser... jornais...
Esta correria desgraçada em que vivemos acaba por se repercutir nos media...
ResponderEliminarParece-me que a lógica dos grandes grupos que dominam cada vez mais a comunicação social é a de que as pessoas têm pouco tempo para pensar... Isto cria um ciclo difícil de quebrar: há pouco jornalismo /reportagem de investigação; o imediato, curto e superficial é mais fácil de digerir...; e tudo isto contribui para que, além da crise económica,vivamos também em crise de atenção.
Parabéns pela actualidade do post.