
José Afonso completaria, hoje, 80 anos. Morreu há 22. Recordá-lo é ter presente a nossa liberdade, reconquistada há pouco mais de três décadas. Nada é para sempre –e a liberdade também pode não o ser. O que se tem dito nesta campanha eleitoral peixeiral, os insultos, as calúnias, os golpes baixos; as evocações disfarçadas, mas transparentes, do paraíso salazarista e as nada disfarçadas do homem providencial e carismático; a desacreditação perversa da democracia; a falta de espinha dorsal de muitos jornalistas e a ambiguidade de outros; a corrupção galopante, que envolve politiqueiros; o aproveitamento da crise e da miséria, por parte da direita, com o fim de desorientar, analfabetizar e condicionar um povo a que essa mesma direita, durante quase 50 anos e o salazarismo, recusou a condição de cidadão e rebaixou, humilhou e ofendeu –tudo isso nos aponta a urgência de não esquecer nem Zeca Afonso, nem o que ele simboliza e o que significa a canção que aqui trago.
Sinceramente: mais do que nunca, a nossa democracia corre perigo. Porque democracia é direitos e oportunidades iguais para todos –e o que se prepara, a recuperação, a restauração que se prepara é a do capital sobre a estabilização do desemprego e da miséria.
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