sábado, 15 de agosto de 2009

O dia de hoje: o regresso ao Mestre

João Gaspar Simões


A releitura de ‘Cartas de Inglaterra’ e de ‘Crónicas de Londres’, que Eça de Queirós escreveu, respectivamente, para a ‘Gazeta de Notícias’, Rio de Janeiro, e ‘A Actualidade’, Porto, de 1877 a 1888, peças admiráveis e, realmente, actuais..., levou-me de volta ao Mestre João Gaspar Simões e à sua insuperável e fundamental ‘Vida e Obra de Eça de Queirós’ (se esgotada, é um escândalo e a prova provada de que o PAC, Processo de Analfabetização em Curso, alastra criminosamente) e ao livrinho de preciosa consulta, ‘A Geração de 70’ (provavelmente, também esgotado)...

Cada vez que preciso de saber alguma coisa acerca dos escritores portugueses (e estrangeiros) contemporâneos, lá vou à cata dos livros e dos ensaios do maior crítico literário português, talvez o último, dado que o que por aí se vende como tal fede a academismo universitareco (mais chato do que a famosa espada de D. Afonso Henriques...) ou a compadrio ou às duas coisas ao mesmo tempo... Ele me ensina, ele me continua a ensinar.

Dizer que João Gaspar Simões foi, além disso, um dos nossos mais importantes romancistas e novelistas modernos –é um dever. ‘Elói’ (a primeira novela psicologista portuguesa?), ‘Pântano’, ‘Uma história de província’, ‘Internato’, ‘A Unha Quebrada’ situam-se muito acima de muito do que se fez e escreveu e elogiou e se faz e escreve e elogia, hoje.

Certamente, pelas suas grandes qualidades intelectuais e pela sua independência, silenciaram-no –coisa comum na feira literata.

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