quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Dia de hoje: em cem anos as estruturas sociais pioraram ou observações de um idealista em Londres...

Oliveira Martins

hora de ponta...


os homens baratas doidas de vida sem sentido...



a bolsa de Wall Street ou os vigaristas a aplaudirem o roubo...




Abri o livro A Inglaterra de Hoje, de Oliveira Martins (1845-1894). A Inglaterra de que o grande escritor fala é a de 1892, passaram 107 anos. E o progresso, que ele já achava selvagem, o inquietava e assustava... o que diria ele, se vivesse hoje?...

No capítulo ‘Passado e futuro do capitalismo’, aponta:


Evidentemente, não está na natureza do animal homem, um modo de vida inconsciente e atormentado, como este que o jogo crónico e universal estabeleceu... Evidentemente os homens valem mais.

Qual jogo? Oliveira Martins fala do mercado, da ganância, da obsessão do lucro a que tudo se sacrifica –a começar pelos princípios éticos:


’Aberto este caminho, a vertigem cresce. Começando pelo comércio, continua pelo crédito bancário, acaba pelo jogo, quando as coisas chegam ao ponto de saturação.”

O resultado da saturação de créditos sem cobertura vivemos nós, vivendo esta crise cujo fim não se vislumbra, por mais que mintam.

Este foi -é- o futuro do capitalismo, do neo-capitalismo ou do neo-liberalismo. Estão à beira do colapso?

A médio prazo, talvez não: a imoralidade do neo-liberalismo irá permitir-lhe que recupere... à custa da estabilização do desemprego e da miséria –em níveis que possam policiar, controlar, congelar... Nunca me cansarei de o repetir.

Escrevia, ainda, Oliveira Martins:
‘O mal dos tempos é um mal íntimo, de consciência: é a ausência de ideal.’

Oliveira Martins, camarada e grande amigo de Antero e, com ele, dos primeiros socialistas portugueses, morreria dois anos depois e antes do tempo: em 1894. Não deixou nenhuma mensagem pessimista. Acreditava nos homens, acreditava na vida, acreditava num ideal de justiça, de liberdade, igualdade e fraternidade (se também tu acreditas nisso, amigo, não te envergonhes: orgulha-te!)
. Mas deixou um aviso: com a morte do ideal -com a morte do idealismo-, morre o homem. Qual o homem? Amigo: o homem digno, entendido como pessoa e não como peça de máquina.

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