de Belinni
de Filippo Lippi
de BoticelliUma alma boa fez chegar-me às mãos o ‘Journal’ (Gallimard) de Valery Laurbaud (1881-1957), recentíssimamente publicado. São 1600 páginas que têm de ler-se ao sabor dos dias...
Larbaud, o ‘pintor’ inigualável da adolescência e da juventude: da beleza. Um ‘renascentista’, à maneira de Bellini, Filippo Lippi, Boticelli... Fermina Marquez, Enfantines, Beauté, mon beau souci, obras-primas, que fixam a maravilha do instante. E cada dos seres é o instante..., o momento em que a harmonia acontece– antes da noite, da usura do tempo. Essa exuberância é tudo para Larbaud, viajante incansável, caçador de beleza.
Uma vez disseram-me: ‘já não se escreve como escreveu Larbaud...’ O estilo? Meu Deus!: já não se escreve como escreveu Petrarca, Camões, Camilo e, em breve, Aquilino... Não, não se escreve –outra ortografia, outras palavras... Mas isso que importa, se a eles voltamos e com eles nos maravilhamos?
Lembrei ‘Les jeunes filles en fleur’, de Marcel Proust, milagre de um imenso escritor… Também já não se escreve como escreveu Proust? Não, não se escreve –mas por outras razões (Proust morreu ontem): a nossa época é uma época desgraçadamente estéril.
Os instantes! Sangrou-me o coração esta frase de Larbaud: “ayez pitié de ceux qui s’aimaient et qui ont été séparés ! »
Larbaud, o ‘pintor’ inigualável da adolescência e da juventude: da beleza. Um ‘renascentista’, à maneira de Bellini, Filippo Lippi, Boticelli... Fermina Marquez, Enfantines, Beauté, mon beau souci, obras-primas, que fixam a maravilha do instante. E cada dos seres é o instante..., o momento em que a harmonia acontece– antes da noite, da usura do tempo. Essa exuberância é tudo para Larbaud, viajante incansável, caçador de beleza.
Uma vez disseram-me: ‘já não se escreve como escreveu Larbaud...’ O estilo? Meu Deus!: já não se escreve como escreveu Petrarca, Camões, Camilo e, em breve, Aquilino... Não, não se escreve –outra ortografia, outras palavras... Mas isso que importa, se a eles voltamos e com eles nos maravilhamos?
Lembrei ‘Les jeunes filles en fleur’, de Marcel Proust, milagre de um imenso escritor… Também já não se escreve como escreveu Proust? Não, não se escreve –mas por outras razões (Proust morreu ontem): a nossa época é uma época desgraçadamente estéril.
Os instantes! Sangrou-me o coração esta frase de Larbaud: “ayez pitié de ceux qui s’aimaient et qui ont été séparés ! »
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