o chamado 'olho de Londres'...Quem não se lembra do Alpedrinha que Teodorico -esse mesmo, o de “A Relíquia” do Eça- encontra, inesperadamente, em Alexandria? Um português, no Egipto?! Ao tempo, era obra, não íamos além de Badajoz e os afortunados davam um pulo breve a Madrid, os milionários -ou os poetas loucos, Sá-Carneiro foi exemplo- assentavam no sudexpresso, até Paris. O bom Alpedrinha nascera em Trancoso, “sabia ainda mesmo de cor os versos mais doloridos do nosso Soares dos Passos”, mas a vida madrasta atirara-o para ali. Hoje, o mundo está cheio de Alpedrinhas, cruzam-se a cada esquina, de Valhadolid a Helsínquia, a Ontário, a Boston ou a Cape Town. A necessidade obriga. Se não me engano -e podem sempre corrigir-me- andam fora 2 milhões e tal de portugueses, a cuidar da paparoca. Em Inglaterra topam-se, facilmente, aproximam-se de 400 mil. No entanto, há surpresas – ou horas mais felizes, que isto de emigrantes não os há voluntários nem sempre destinados ao sucesso...
Em Fulham, sudoeste de Londres, campeia gloriosa, a procurada e apreciada charcutaria de Luigi Molinaro, romagem obrigatória de todo o bom garfo, “Luigi, Delicatessen”. Eu, que trago no coração 15 anos de Itália, como poderia falhar? Recebeu-me, amavelmente (já fraternalmente?), quem me disse -palavra puxa palavra- ser um siciliano de... Portugal: o senhor Vítor Dinis, transmontano, que me apresentou o irmão Alberto (ainda ficaram por apresentar mais dois que trabalham alhures) e o senhor Arnaldo, algarvio. Todos eles dominam, perfeitamente, o inglês e o italiano e adaptaram-se, instalaram-se, triunfaram. Há qualquer coisa de extraordinário e heróico, nessa aventura –nessa diáspora inestancável. Até quando ouviremos dizer: “pobre do pássaro que em pobre terra nasce”?
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