domingo, 23 de agosto de 2009

A desumanização progressiva do trabalho e a injustiça de fazer do homem uma peça de máquina...

... Antero um homem de espinha direita...
Antero de Quental foi um homem que se deu, totalmente, ao seu ideal, que era o desejo de uma sociedade justa. Lutou por ele. Prezou a coerência. O grande poeta trabalhou como tipógrafo, em Lisboa e em Paris. E é da capital de França que escreve a um amigo:

Este trabalho é triste como todo o trabalho moderno, forçado, partido e dividido, desnatural e injusto.’

Estava-se no ano de 1866 e o liberalismo navegava de vento em popa. Mais de um século passado, o trabalho mais e mais se tornou um pesadelo: trabalhador e o operário são escravos desrespeitados, humilhados, ofendidos –feridos na sua dignidade de homens.

Deixaram de ser homens: são, hoje, peças da monstruosa máquina neoliberalista. São produtos sociais, condenados a produzir outros produtos – que asseguram a riqueza de quem neles manda.
p.s. o termo 'produto' é dos mais miseráveis que o neoliberalismo inventou e usa, quando tenta eliminar a alma... o sonho.. o direito... a justiça...

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