



O Cairo está na rua: organiza-se uma manifestação que, prevê-se, deverá atingir cerca de 1 000 000 de pessoasNo fim e ao cabo, o levantamento popular no Egipto (país onde convivem diversas confissões religiosas) deixa três perguntas cujas respostas serão aleatórias:
1. Mubarak entregará o poder e retirar-se-à?
2. Mubarak, apoiado na forças militares, reprimirá a revolta, provavelmente, através de um banho de sangue?
3. Mubarak cederá e organizará eleições livres?
4. Dessas eleições, sairá um Egipto laico e democrático?
5. Ou os militares tomarão o poder, depois de afastarem Mubarak?
6. Ou os “Irmão Muçulmanos” aproveitarão o caos estabelecido para tomar o poder e instalarem uma ditadura islamista?
7. Ou os “Irmãos Muçulmanos” ganharão as eleições e o Egipto transformar-se-á, pouco a pouco, numa teocracia?
8. E, seja o que for que aconteça, que será do precário equilíbrio existente no Médio Oriente?
Estas perguntas não são inocentes.
Está em jogo, como nunca esteve, a paz no Médio Oriente.
E, da paz no Médio Oriente, depende a paz no Ocidente.
Desde Sadat, o Egipto é o único país árabe que mantém relações diplomáticas com Israel e ajuda, efectivamente, um sempre periclitante diálogo entre Israel e a Autoridade Palestina -diálogo que é, também, fundamental para a paz no Médio Oriente.
O que se passa no Egipto não é folclore revolucionário: é muito grave.
E a queda de Mubarak não resolverá tudo –porque a maior parte das perguntas acima continuarão de pé.
Insisto: estão em jogo, a liberdade, os direitos do homem e... a paz do mundo.
Questões pertinentes num cenário que nos deixa em espectativa!
ResponderEliminarApreciei sobremaneira este post.
Boa noite!
É uma situação gravíssima. Se ler o artigo do El País, verificará que tudo se está a passar no fio da navalha.
ResponderEliminarUma situação complicadíssima.
ResponderEliminarO que me deixa a pensar:"Para quando uma revolta em Portugal?"
:)
Não creio que seja necessária uma revolução em Portugal. Vivemos em democracia. Agora, é trabalhar, dentro dela, e sair do buraco em que esbracejamos.
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