terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A saída imprevisível











O Cairo está na rua: organiza-se uma manifestação que, prevê-se, deverá atingir cerca de 1 000 000 de pessoas





No fim e ao cabo, o levantamento popular no Egipto (país onde convivem diversas confissões religiosas) deixa três perguntas cujas respostas serão aleatórias:




1. Mubarak entregará o poder e retirar-se-à?




2. Mubarak, apoiado na forças militares, reprimirá a revolta, provavelmente, através de um banho de sangue?








3. Mubarak cederá e organizará eleições livres?




4. Dessas eleições, sairá um Egipto laico e democrático?








5. Ou os militares tomarão o poder, depois de afastarem Mubarak?





6. Ou os “Irmão Muçulmanos” aproveitarão o caos estabelecido para tomar o poder e instalarem uma ditadura islamista?



7. Ou os “Irmãos Muçulmanos” ganharão as eleições e o Egipto transformar-se-á, pouco a pouco, numa teocracia?



8. E, seja o que for que aconteça, que será do precário equilíbrio existente no Médio Oriente?






Estas perguntas não são inocentes.





Está em jogo, como nunca esteve, a paz no Médio Oriente.



E, da paz no Médio Oriente, depende a paz no Ocidente.



Desde Sadat, o Egipto é o único país árabe que mantém relações diplomáticas com Israel e ajuda, efectivamente, um sempre periclitante diálogo entre Israel e a Autoridade Palestina -diálogo que é, também, fundamental para a paz no Médio Oriente.




O que se passa no Egipto não é folclore revolucionário: é muito grave.





E a queda de Mubarak não resolverá tudo –porque a maior parte das perguntas acima continuarão de pé.




Insisto: estão em jogo, a liberdade, os direitos do homem e... a paz do mundo.

4 comentários:

  1. Questões pertinentes num cenário que nos deixa em espectativa!
    Apreciei sobremaneira este post.
    Boa noite!

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  2. É uma situação gravíssima. Se ler o artigo do El País, verificará que tudo se está a passar no fio da navalha.

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  3. Uma situação complicadíssima.

    O que me deixa a pensar:"Para quando uma revolta em Portugal?"
    :)

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  4. Não creio que seja necessária uma revolução em Portugal. Vivemos em democracia. Agora, é trabalhar, dentro dela, e sair do buraco em que esbracejamos.

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