quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Um pintor português

'Bailarico no bairro', 1936, óleo de Mário Eloy (1900-1951)



João Gaspar Simões (1903-1987), sem dúvida o mais importante crítico literário português -o crítico literário português, por excelência-, a quem se devem biografias de Eça de Queirós e de Fernando Pessoa, obras de consulta indispensável e as mais completas e argutas publicadas até hoje, foi, também um romancista de muita qualidade. Um dos mais importantes do nosso século XX.


Mas não só se silencia a obra gigantesca do crítico Gaspar Simões como também se enterraram os seus livros de ficção e, deles, se diz nada.



É puro canibalismo literato, é puro analfabetismo literato, é pura estupidez.


E quem paga tudo isso és tu, leitor inocente: roubam-te conhecimento e prazer de usufruir de textos superiores.


Gaspar Simões escreveu, entre outros, um admirável romance, Pântano (duas edições na saudosa Inquérito, a 2ª de 1946), que é o testemunho precioso dos anos da guerra e pós-guerra e da vida de boémia intelectual da Lisboa do tempo.


Com outros nomes, poderás ali encontrar Vieira da Silva, José Osório de Oliveira, José Bacelar. António Navarro, naturalmente, Gaspar Simões, e... Mário Eloy.


Foi através de Gaspar Simões e em sua casa, que descobri Mário Eloy.


Eloy retratou Gaspar Simões (se procurares, encontrarás a reprodução do quadro, hoje na Gulbenkian, neste blog), ofereceu-lhe muitos trabalhos... que o escritor ia vendendo, porque vivia exclusivamente da pena e, em Portugal, autor sério e de valor está mais ou menos condenado à pobreza e à fome.

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