sábado, 19 de fevereiro de 2011

Veneza: as impressões indeléveis ou as fidelidades do holandês voador

San Giogio Maggiore, Veneza, 1908, de Claude Monet



“Ontem, a BBC transmitiu um documentário sobre Veneza e, às primeiras imagens, murmurei: “sono a casa" ["estou em casa"]...


Veneza... Lorenza, Mirella, O Pássaro de Vidro...


A Mulher Nua... Os Amantes Voluntários...

Os meses, quase anos, lá vividos...

À noite, no Inverno, a Piazzetta deserta.


O ângulo, o canto do Harry’s Bar e as contessine, Paola e Mónica, rostos de Renoir, esplêndidas na adolescência voraz, impensada e alegre. O americano gordo, a perguntar-me onde as descobrira, onde fora buscá-las...


Il Calice, onde me juntava com Aldo e Giogio Trentin, para o aperitivo do meio-dia...

As osterie...

La vedova, Due Mori, Il Paradiso Perduto...


O Carlos Soares e a amante francesa. O grande Aldo Zari, o pintor mais pobre de Veneza, aventureiro das mãos de oiro.


Luciana Piai e La Fenice, quando fomos ver Marcel Marceau..,. ela com a chapéu à manzzantini e a capa cor de sangue, os olhos azuis-mar...


A laguna. Burano e as casas pintadas, o quadro de Moggioli, que retratava a avó do proprietário da pastelaria onde íamos admirá-lo... Valerio Zurlini, que aparecia, no Outono, metido consigo, de acordo com o filme, em que andava a pensar: Il deserto dei Tartari...


O copo de vinho que bebíamos, juntos, no Da Romano...

Catherine Donner, a amiga de Namur.


Há tantos anos! Foi ontem? Volta a ser hoje, agora, aqui. Comigo.”


publicado neste blog, em 29 de Julho de 2009

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