Tunes, Janeiro de 2011‘Diplomatas e especialistas foram apanhados de surpresa. Esperavam sublevações de fome e assistiram, antes do mais -na Tunísia e no Egipto- a rebeliões da dignidade. Esperavam-se maquinações dos “islamistas” e foram centenas de milhares de rapazes e raparigas modernas que exigiram uma sociedade aberta. Alguma coisa se passou que demoliu as análises impingidas no ocidente. Pensamos no espantalho islâmico sempre agitado. Pensamos no imperceptível desprezo que acompanha (...) a evocação da “rua árabe”, de piolhosos ignorantes.
As palavras mais vezes repetidas, nestas últimas semanas, foram coragem, dignidade e liberdade. (...) É uma revolta com raízes profundas. (...) ela vem da consciência de “ser no mundo”, daquilo a que os gregos chamavam ‘thymos’, ou seja a necessidade de reconhecimento. Platão -no livro IV de “A República”- defini-o como uma certa “estima de si”. Está ligado ao orgulho e à vergonha. Ora toda a tirania, seja ela árabe ou não, impõe ao homem mais do que a brutalidade repressiva. Aprisiona-o, quotidianamente, no desprezo.
(...) Para Camus, o homem revoltado é aquele que, subitamente, encontra “a força de dizer não”.
(...) [a revolta] arranca o homem à solidão, transforma-se em aventura colectiva. Lembramo-nos da bela frase camusiana: “Je me revolte donc nous sommes [Eu revolto-me, portanto nós somos].”
artigo de Jean-Claude Guillebaud, in le Nouvel Observateur, 3 a 9 de Fevereiro de 20111
Realmente, a revolta tira o homem da solidão tem na sua génese a união (ccolectivo).
ResponderEliminarJá compreendi melhor o sentido do "Milagre de S. Francisco", apesar de tudo.
É um livro que me vai deixar marcas!:)
A revolta em sentido figurado... a afirmação da vontade de ser ele próprio, de conquistar a sua dignidade, que se realiza no diálogo e no encontro do outro. A recusa da escravatura social e moral.
ResponderEliminarSim, compreendo o seu interesse pelo Milagre de São Francisco.