

O que sairá daqui?‘Há, no Egipto, três forças:
A primeira é o povo de mil rostos, sem enquadramento, maravilhosamente espontâneo na sede de liberdade e cujo levantamento tudo desencadeou.
A segunda é o exército, espinha dorsal do regime, lealista por função e de que não se sabe se, recusando disparar sobre o povo e parecendo guardar certa distância em relação ao raïs [Mubarak], não terá sido, na realidade, cúmplice de Mubarak. O raïs, os generais e os americanos fizeram tudo para ganhar tempo, o que é terrível porque cada dia que passa reforça o campo religioso.
A terceira força são os Irmão Muçulmanos, organizados, sempre perseguidos, mas tolerados e sempre renascentes. Tentaram assassinar Nasser e conseguiram assassinar Sadat. (...) Minoritários, representam um terço dos 80 milhões de egípcios, controlam quase todas as organizações caritativas e a sociedade civil: professores, médicos, engenheiros... Proibidos na vida política, introduziram-se, subtilmente, nela. De tal maneira que, hoje, nada se pode fazer sem eles e que, depois de longas conversações secretas, os Americanos autorizaram os responsáveis pelo novo poder, ainda ligados, aliás, a Hosni Mubarak, a negociarem com eles.’
trecho traduzido do artigo de Jean Daniel, Un nouveau Moyen-Orient, in le Nouvel Observateur, de 10 a 16 de Fevereiro de 2011
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